
Sentado no ponto de ônibus,
Barriga sem janta
Impaciente com a demora
Sei que ansiedade não adianta
Mas amigo, queria tanto ir embora
Olhei pro letreiro e li:
Jacuecanga primeiro
E angra dos reis depois
Peguei logo o dinheiro
Mas minha mente se opôs
-Como é que pode essa situação?
Jacuecanga e angra dos reis
No letreiro do mesmo busão?
Nisso me parece estranho...
A empresa nessa contra mão?
E com a mínima parcela de ganho?
Ih num é verdade não!
Ah meu cumpadre!
Não aqui, não nessa cidade...
Não nessa região
Fui me sentar novamente
Olhando para esquina
Impacientemente
Ansiando minha sina
O meu maior presente
E você nem imagina que
Que por ele eu estava carente
Que por ele eu estava carente
Sentado no ponto
Senti medo de ser atacado
É meu amigo, a violência ta assim
Lamento ter lhe contado
E está bastante escuro aqui
Fico meio escaldado
Sou assim! Foi como aprendi!
Nunca dê mole num breu danado.
Ao longe avisto uma pessoa
Que chega também pra esperar
É um senhor até que gente boa
Que ajudou a me acalmar
Conversou um pouco
E teve um pouco de medo
Devia estar pensando:
Porque não vim mais cedo?
Quando que por fim
Ele aparece,
Bate uma algreia em mim
Até paro com minha prece
Lá vem senhor do bonfim
A minha salvação
Fazia tempo que não me sentia assim
Alegre, felizão
Mas desse sentimento logo me despeço
Quando olho pro letreiro e leio: expresso! ¬¬
Fiquei besta, estático!
Mas no fundo achei até engraçado
O tiozinho foi embora
E fiquei eu, abobalhado,
Esperando o que não tinha aquela hora
Aaai tava tudo errado!
Enfim me conformo
Por que sabe como é né?
Preparo o psicológico
E vou-me embora a pé!
-Dell Azevedo-
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